Diabetes na Gravidez

Durante uma gravidez ocorrem muitas mudanças fisiológicas, incluindo um aumento de secreções hormonais que influenciam os níveis de glicose no sangue, a “drenagem” de glicose para o feto, esvaziamento mais lento do estomago, aumento da excreção de glicose dos rins e a resistência das células a insulina. A diabetes gestacional ou a diabetes pré-existente tem alguns riscos para a gravidez.

A diabetes tem vários riscos para o bebê: aborto, restrição do crescimento, crescimento acelerado, macrosomia fetal (obesidade do feto), polidrâmnio (quando a mulher tem uma quantidade excessiva de fluido amniótico que também cria riscos para mãe) e deficiência. As deficiências congênitas não são um risco identificado para as crianças das mulheres com diabetes gestacional, porque normalmente estas ocorrem em estágios mais tardios da gravidez, quando os órgãos vitais já têm a sua forma essencial.

A diabetes tipo 2 ou tipo 1 aumenta o risco de deficiências congênitas 200% e 300% devido ao estresse oxidativo causado pela ativação da proteína quinase C que leva à apoptose em algumas células. Estas explicações parecem complicadas por isso vamos simplificar.

Importância dos Níveis de Glicose Durante a Gravidez

O excesso de glicose no sangue é prejudicial à mãe e ao feto. Os especialistas aconselham a manter um nível de glicose no sangue a níveis normais 2 a 3 meses antes da gravidez. Gerir os níveis de glicose no sangue antes e durante a gravidez ajuda a proteger a saúde da mãe e do bebê.

Para as mães com diabetes tipo 2 pode ser necessário administrar insulina em vez de medicamentos orais para a diabetes. No caso das mulheres com diabetes tipo 1 pode ser necessário aumentar a quantidade de insulina administrada. Os médicos podem aconselhar a paciente a fazer mais medições do nível de açúcar no sangue.
Aqui estão algumas dicas para executar antes e durante a gravidez:

  • Procure uma equipa de profissionais de saúde para de modo a conseguir um nível de açúcar no sangue perto dos valores normais.
  • Consulte um médico com experiência em diabetes mellitus durante a gravidez.
  • Tenha um cuidado extra com os olhos e com os rins, pois a gravidez pode piorar os problemas.
  • Deixe de fumar, ingerir bebidas alcoólicas ou o uso de drogas.
  • Consulte e coordene os seus esforços com um nutricionista com experiência em casos de diabetes durante a gravidez. Siga o plano com todo o cuidado para que a mãe e o seu futuro bebê tenham uma alimentação adequada.

Se você já está grávida consulte um médico imediatamente. Não é tarde para estabilizar o nível de açúcar no sangue em níveis normais para que a mãe e o bebê se mantenham saudáveis durante o resto da gravidez.

Dicas para a Diabetes durante a Gravidez

A diabetes na gravidez deve ser gerida com um planejamento de refeições, aumento de atividades físicas e pelo tratamento adequado de insulina injetável. Algumas dicas para controlar a diabetes durante a gravidez incluem:

  • Alimentação sem açúcar e cereais. Menos doces e hidratos de carbono, comer 3 refeições regularmente e 1 a 3 snacks por dia, manter horas certas para as refeições e ingerir o máximo dos carboidratos através de vegetais.
  • Aumentar a atividade física. Boas modalidades são caminadas, natação e  aeróbica aquática.
  • Monitorizar o nível de açúcar no sangue com freqüência – os médicos podem pedir para testar o nível de glicose no sangue com mais freqüência.
  • O nível de açúcar no sangue deve estar abaixo de 95 mg/dl (5,3 mmol/l) em jejum, abaixo de 140 mg/dl (7,8 mmol/l) uma hora depois da refeição e abaixo de 120 mg/dl (6,7 mmol/l) duas horas depois de uma refeição.
  • Mantenha um histórico dos níveis de açúcar no sangue e apresente essas analises a uma equipa medica para avaliar e modificar o tratamento. Se os níveis de glicose no sangue estão acima dos objectivos uma equipa de gestão de diabetes perinatal pode sugerir formas de atingir os valores adequados.

Muitas mulheres necessitam de mais insulina durante a gravidez para atingir o nível de açúcar no sangue necessário. A insulina em quantidades baixas não faz mal ao bebê.

Amamentação

A amamentação é boa para uma criança mesmo com diabetes mellitus. Algumas mulheres duvidam se a amamentação é aconselhada depois de serem diagnosticadas com diabetes. Amamentar é recomendado para a maioria dos bebês, incluído as situações com mães diabéticas. O risco de a criança desenvolver diabetes tipo 2 é menor quando a criança é amamentada. A amamentação também ajuda a criança a manter um corpo e um peso saudável durante a infância.

Classificação da Diabetes na Gravidez

A classificação White, criada pela Priscilla White, que foi a pioneira na investigação dos efeitos da diabetes no período perinatal, é um método de classificação muito usado para calcular o risco maternal e fetal. Esta classificação distingue entre a diabetes gestacional (tipo A) e a diabetes existente antes da gravidez. Estes dois grupos são subdivididos de acordo com os seus riscos e a sua gestão.

Existem duas classes de diabetes gestacional (diabetes que começou durante a gravidez):

  • Classe A1: diabetes gestacional; controlada pela dieta
  • Classe A2: diabetes gestacional; controlada pela administração de insulina
    O segundo grupo consiste na diabetes pré-existente e é dividida nas seguintes classes:
  • Classe B: com inicio aos 20 anos ou mais tarde, ou com duração menor de 10 anos
  • Classe C: com inicio entre os 10 e 19 anos, ou duração de 10 a 19 anos
  • Classe D: com inicio antes dos 10 anos ou com duração superior a 20 anos
  • Classe E: diabetes mellitus com calcificação pélvica
  • Classe F: nefropatia diabética
  • Classe R: retinopatia proliferativa diabética
  • Classe RF: retinopatia e nefropatia
  • Classe H: cardiopatia isquêmica
  • Classe T: pacientes com transplante de um rim

Quanto mais cedo se iniciou a diabetes ou quanto mais tempo o paciente tem a doença maior é o risco – por isso existem os primeiros 3 subtipos.

O tratamento de mulheres grávidas com diabetes deve ser feito através da regulação dos níveis de glicose da forma mais estrita possível. Na diabetes tipo 2 os medicamentos anti-diabéticos orais são substituídos pela injeção de insulina. Em minha opinião esse tipo de tratamento é perigoso e deve ser evitado. Dar injeções de insulina a uma paciente com diabetes tipo 2 vai baixar os níveis de glicose no sangue, mas piora o problema. A doença que fica mais grave porque o problema da diabetes tipo 2 é a resistência à insulina que vai ser ainda maior depois da utilização de insulina injetável.

O mais importante para as mulheres grávidas é evitar os alimentos com açúcar e carboidratos em excesso e fazer algum exercício físico. Para saber mais sobre o tratamento da diabetes consulte as nossas dicas de alimentação e de exercício físico para recuperar a sensibilidade à insulina e retroceder a diabetes.

Outro fator muito importante para o futuro da criança é a reeducação alimentar da mãe.

Como mãe você vai alimentar o seu bebê, que depois vai ser uma criança e depois um adolescente. Pelo fato de você ter diabetes gestacional ou outro tipo de diabetes mellitus o seu filho já tem um fator de risco elevado de se tornar diabético no futuro. A melhor forma de prevenção é você ficar informada sobre a forma certa de lidar com a doença e dar o exemplo de uma alimentação que promove saúde e longevidade. Quanto mais cedo você começar, mais fácil é evitar este problema!

Comentários

  1. Elisabeth diz

    Descobri que na minha gravidez tenho um pouco de açúcar no sangue, quero saber se é prejudicial ao meu bebe e a mim.

  2. Alexandra de Matos diz

    Boa tarde. Sou diabética tipo 2 e o ano passado andei num endocrinologista que me fez passar dos antidiabéticos orais para a insulina rápida e lenta, porque não tinha a glicemia controlada.
    Fiquei internada 5 dias, os quais foram de repouso, insulina, alimentação certa a tempo e a horas e de facto, a glicemia establizou.
    Mas com o passar dos meses, com stress, alimentação inadequada e falta de exercício (confesso), mesmo com insulina, a glicemia começou a aumentar.
    Eu falei com a médica que a insulina não estava a resultar, até poque as análises revelaram eu ter produção de insulina, logo, presumo, ter resistência à insulina, certo?
    Agora penso engravidar ou já estar grávida, ainda sem certeza. O que é melhor para mim, já que vários médicos já me disseram que passarei imediatamente para insulina?
    Obrigada.

  3. Janaina diz

    Oi, tudo bem? Tenho 23 anos, sou diabetica melitus tipo 1 desde meus 10 anos e sou dependente de insulina. Estou grávida da minha segunda bêbê. Estou de 31 semanas e meu diabetes tem subido demais a 300 e como não tem muito controle da insulina eu chego a tomar 200 unidades no dia da nph. Faz mal a minha bêbê? O que eu faço pra diminuir a glicemia?

    • Mariana diz

      Janaina, tenho diabetes desde os 11 e quero muito engravidar. Como foi sua primeira gestaçaõ? Queria que alguem me orientasse!

  4. Marcela diz

    Olá. Estou grávida de 6 meses e tenho diabete gestacional e fiquei internada durante 5 dias e foi controlada so com a dieta. Não precisou insulina e eu fico medindo a glicemia em casa durante o café da manhã, o almoço e o jantar. Tem dado 99, 111, 114, 117, mas teve três dias que deu 135, 124, 121. Tem algum problema ter dado esses números, tem algum risco para meu bebe? Por favor me responda.

  5. Conceição Duarte diz

    Oi, meu nome é Conceição. Estou grávida de 16 semanas e tenho 40 anos, tenho 5 filhos e até o terceiro nunca tive nenhum problema mas à quatro anos atrás tive diabetes gestacional. Não precisei fazer uso de insulina, só a dieta deu resultados positivos. Porém 2 anos após o nascimento do meu filho me tronei diabética e fazia uso de medicação quando engravidei novamente e agora a situação é bem complicada. Já fiquei internada e estou tomando insulina regular e NPH. Tem dias que preciso tomar 10 injeções ou mais e mesmo com a dieta tem sido muito difícil manter os níveis corretos. Estou preocupada pois na outra gestação tive que fazer uma cesária com 36 semanas porque as medição 2 horas depois da refeição estava 148 e agora que tem chegado a quase 200 com 4 meses. Tem dias que em jejum a medição dá 150 não sei mais o que fazer. Me ajudem. Me disseram que chá da folha de jabuticaba diminui os níveis de açúcar mais tenho medo de tomar e fazer mal ao bebê.

  6. Conceição Duarte diz

    Tenho 4 filhos e estou grávida do 5, só para corrigir o comentário acima que eu fiz.

  7. Paula diz

    Tenho 31 anos, sou diabética, descobri a doença com 15 anos. Já passei a tomar insulina nph e às vezes a regular, confesso não faço a dieta corretamente, mas gostaria de engravidar mas tenho muito medo, e para ajudar sou hipertensa mas ta controlada. Gostaria de saber se corro muito risco de vida engravidando? Obrigada

  8. Mariana diz

    Olá! Tenho diabetes tipo 1 desde os 11 anos, hoje com 22 anos e casada, gostaria muito de engravidar, mas morro de medo. Alguma diabética aqui que já teve filhos, para me orientar e contar como foi a gestação?

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