Diabetes Tipo 2

A diabetes e a obesidade são as epidemias século XXI. Pode ser novidade para muitas pessoas que sofrem de diabetes tipo 2, mas esta doença é reversível. Entender o que torna as pessoas diabéticas é o primeiro passo para você entender como evitar e tratar a diabetes tipo 2. A alimentação é um dos fatores mais importantes para o tratamento desta doença. Neste artigo vai encontrar uma explicação simplificada sobre o processo e a relação entre a insulina, o açúcar no sangue (glicose) e o desenvolvimento da diabetes tipo 2.

Antes de começar a falar sobre a doença é necessário dizer que existe muita desinformação na comunidade alimentar, médica e farmacêutica sobre a prevenção e tratamento da diabetes tipo 2. As grandes empresas de agricultura e produção alimentar não se com o bem-estar dos seus consumidores… Eles querem fazer dinheiro. A indústria farmacêutica não trabalha porque tem prazer em curar pessoas. Se fosse assim os medicamentos seriam muito mais baratos… As farmacêuticas vendem cada vez mais medicamentos (cada vez mais caros) e fazem cada vez mais dinheiro.

A Anvisa no Brasil ou o Infarmed em Portugal vão atrás da FDA Americana e dos interesses das grandes farmacêuticas. Existe um conflito de interesses entre ganhar dinheiro e curar pessoas. A indústria alimentar cria produtos de baixo custo e com um tempo longo de armazenamento que podem vender a preços elevados. A indústria farmacêutica subsidia uma comunidade médica que prescreve cada vez mais medicamentos – que muitas vezes não são necessários e fazem pessoas sofrer com efeitos colaterais, tudo pelos grandes lucros.

Hoje em dia a maioria das pessoas prefere tomar um remédio todos os dias, ficando de consciência tranqüila por seguir as ordens do médico. Tomar remédios é mais fácil do que mudar os hábitos de vida prejudiciais, mas tem os seus efeitos colaterais. Tomar remédios dia após dia atenua os sintomas da diabetes tipo 2, mas não trata a causa da doença. Apesar disso há muitas pessoas que quere saber mais, porque não se sentem bem com os medicamentos e vêm a sua situação a piorar. Aqui você vai aprender a tratar a diabetes e vai aprender a deixar os medicamentos para a diabetes, hipertensão arterial e o colesterol alto.

A Diabetes, os Carboidratos e a Insulina

Quando você ingere alimentos, o corpo digere os três macro nutrientes: carboidratos, proteínas (muitos aminoácidos diferentes) e gorduras. Tudo o que não é digerível, como álcool, fibras ou toxinas, passam pelo intestino e vão diretamente para a corrente sanguínea, onde são filtrados pelo fígado. Esses macro nutrientes podem ser medidos em gramas e calorias, mas para o nosso corpo tudo funciona a nível de combustível. Se você ingere mais combustível do que o seu corpo precisa – o que acontece com a maioria das pessoas – o nosso corpo é obrigado a armazenar este excesso.

Armazenar este excesso calórico foi uma necessidade evolucionária no passado da espécie humana, há 50.000 anos estávamos num estado constante de “festim ou de fome”. O corpo humano aprendeu a sobreviver comendo muito num dia e passando fome alguns dias. Pela necessidade de sobrevivência, o DNA humano tornou-se um especialista em armazenamento de energia. Hoje estamos vivos porque fomos capazes de sobreviver num ambiente hostil e esses genes foram passados para você e para mim.

Qualquer tipo de carboidrato que você ingere vai ser convertido numa forma simples de açúcar chamada de glicose. Dependendo do carboidrato, essa transformação acontece diretamente ou depois de uma breve passagem pelo fígado. Todo o pão, massa, macarrão, cereais, batatas, arroz, fruta, sobremesa, doce e refrigerantes que você come ou bebe vão ser transformados em glicose. Apesar de a glicose ser um combustível, ela é bastante tóxica em quantidades excessivas. O organismo evoluiu de forma a eliminar a glicose excessiva do sangue com rapidez para ser armazenada em outras células para uma utilização posterior.

O nosso organismo faz isso armazenando algum do excesso de glicose nos músculos e no fígado em forma de glicogênio. Este é o combustível muscular que é necessário para exercícios anaeróbicos intensos. As células beta do fígado são especializadas em detectar a abundância de glicose no sangue depois de uma refeição e segregam insulina, um peptídeo que permite a glicose (e as gorduras e os aminoácidos) a ganhar acesso ao interior do músculo e das células do fígado.

Ou seja, os músculos estão cheios de glicose (armazenada em forma de glicogênio) para utilizar como combustível para você se movimentar (andar, trabalhar, correr). O fígado tem uma reserva de glicogênio (de 100 a 120 gramas) para quando não é suficiente o glicogênio armazenado nos músculos e na corrente sanguínea. Quando você se esforça queima primeiro o glicogênio armazenado nos músculos, e o glicogênio do sangue é passado para os músculos para repor o gasto de combustível.

Quando a glicose no sangue está baixa o fígado liberta a glicose para o sangue para ela ser transportada para os músculos e para os outros órgãos.

Mas há um detalhe importante: quando essas células estiverem cheias (e nas pessoas inativas estão sempre cheias) o resto da glicose é transformada em gordura. Isto é o que faz as pessoas engordar!

A glicose em excesso não é transformada em gordura automaticamente. A glicose em excesso é muito tóxica para o organismo: uma quantidade superior a uma colher de chá de açúcar diluída nos nossos 4 a 5 litros é tóxica. Quando as células beta do fígado detectam glicose em excesso o pâncreas começa a segregar insulina para a corrente sanguínea. O trabalho da insulina é armazenar a energia excessiva em forma de glicose, transformando-a em gordura.

A insulina foi um dos primeiros hormônios a evoluir nos seres vivos. Quase todos os animais segregam insulina como um meio de armazenar nutrientes em excesso. Isto faz todo o sentido num mundo onde havia pouca comida, ou falta de comida durante períodos longos… O nosso corpo tornou-se incrivelmente eficiente. É irônico que não é a gordura que é guardada como gordura – é o açúcar. É agora que a sensibilidade à insulina e o problema da diabetes tipo 2 fica confusa para a maioria das pessoas, incluindo os nossos governos.

Predisposição Genética da Diabetes Tipo 2?

Há 10.000 anos atrás, os nossos antepassados tinham acesso restrito ao açúcar e a qualquer tipo de carboidrato. Havia alguma fruta aqui e ali, algumas bagas e raízes, mas a maioria dos carboidratos estava em alimentos muito fibrosos. Alguns antropologistas do paleolítico sugerem que os nossos antepassados consumiam em média apenas 80 gramas de carboidratos por dia. Isso é muito pouco, comparando com os 350 a 600 gramas de gramas por dia da dieta atual dos países industrializados. O resto da dieta paleolítica consistia em várias gorduras e proteínas. Como os carboidratos difíceis de encontrar eram fibrosos (e também complexos), o seu efeito nos níveis de insulina era mínimo. Havia tão poucos carboidratos e glicose nas dietas dos nossos antepassados que evoluímos com quatro formas diferentes de criar glicose e apenas uma para eliminar o excesso que consumimos.

Hoje em dia, quando consumimos demasiados carboidratos, o pâncreas cria insulina tal como está programado no nosso DNA, mas se o fígado e os músculos já estão cheios de glicogênio, essas células começam a ficar resistentes à insulina (porque estamos sempre com excesso de glicose e com cada vez mais insulina). Os receptores de insulina na superfície dessas células começam a diminuir em número e em eficiência. A isso se chama “regulação decrescente” da sensibilidade à insulina.

Como a glicose não consegue entrar no músculo ou nas células do fígado, ela fica na corrente sanguínea. Agora o pâncreas detecta que ainda existe glicose em níveis tóxicos, por isso ainda cria mais insulina e os receptores de insulina ficam ainda mais resistentes… Porque um excesso de insulina também é tóxico! Eventualmente a insulina ajuda a glicose a encontrar o caminho para o tecido adiposo onde é convertida em gordura. Como já disse, não é a gordura que é armazenada no tecido gordo – é o açúcar.

Ao continuarmos com uma alimentação com excesso de carboidratos e uma vida com pouco exercício, a insensibilidade à insulina aumenta. Sem tomar uma decisão dramática para reduzir a ingestão de carboidratos e de aumentar o exercício físico, desenvolvemos vários problemas que só pioram com o tempo – e os medicamentos não resolvem o problema.

Este é o processo que leva uma pessoa normal à resistência de insulina, à diabetes tipo 1 e à diabetes tipo 2:

  1. O nível de glicose no sangue mantém-se alto durante mais tempo porque a glicose não chega aos músculos. Esta glicose tóxica é como se fosse lodo que entope as artérias, que se junta com proteínas para formar AGEs (produtos finais de glicação avançada http://www.scielo.br/pdf/abem/v52n6/05.pdf, do inglês Advanced Glycated End products) que causam um inflamação sistêmica. Alguma desta glicose em excesso contribui para o aumento de triglicerídeos, aumentando o risco de doenças cardíacas.
  2. Mais açúcar armazenado em gordura… e com maior velocidade. Como as células do músculo recebem menos glicogênio (porque são resistentes à insulina), e como a insulina inibe a lipaze, uma enzima de queima de gordura, torna-se ainda mais difícil queimar gordura e é muito mais fácil engordar. Você continua a engordar até que eventualmente essas células adiposas se tornam resistentes.
  3. O nível de insulina fica mais elevado porque o pâncreas pensa “se um pouco não faz efeito, é necessário aumentar a dose.” Errado. A insulina em níveis elevados é muito tóxica para o organismo, causando a acumulação de plaquetas nas artérias (a razão pela qual os diabéticos têm tantas doenças cardiológicas) e aumenta a proliferação celular dos cânceres.
  4. Tal como a resistência à insulina impede o açúcar de entrar nos músculos, também impede os aminoácidos de entrarem nos músculos e nos órgãos. Agora você não consegue criar ou manter os seus músculos. Para piorar as coisas, outras partes do seu organismo pensam que não existe açúcar suficiente nas células, mandando sinais para começar a canibalizar o seu tecido muscular para criar mais – você acertou – açúcar! Você ganha mais gordura e perde músculo.
  5. Os seus níveis de energia baixam, em seguida você fica com mais fome de carboidratos e tem menos vontade de fazer exercício físico. Você fica com desejos de comer o veneno que o está a matar… Você fica com grandes vontades de comer!
  6. Quando o seu fígado fica resistente à insulina, ele não consegue converter o hormônio da tiróide T4 no o hormônio T3. Esta é a altura que aparecem problemas de tiróide misteriosos, que tornam o seu metabolismo ainda mais lento.
  7. Pode ficar com neuropatias (danos ao sistema nervoso) e ficar com dores nas extremidades, porque o excesso de açúcar destrói tecido nervoso. Pode também desenvolver retinopatia e começa a perder a visão.
  8. Eventualmente o pâncreas fica tão exausto que não consegue produzir mais insulina e você acaba por ter de injetar insulina para sobreviver. É necessária muita insulina, porque o organismo está resistente à insulina. Parabéns, você conseguiu graduar-se da Diabetes Tipo 2, para a Diabetes Tipo 1 e 2.

 

Essas são as más notícias. São notícias péssimas. Mas a boa notícia é que existe uma forma de evitar tudo isto. A solução está no seu código genético, pois o seu organismo procura sempre a sobrevivência.

Exercício Físico é Necessário?

Além da alimentação, o exercício tem uma grande importância em melhorar a sensibilidade à insulina e prevenir ou reverter a diabetes tipo 2. Isto porque os músculos queimam o glicogênio armazenado como combustível durante e depois de um treino. Os músculos que foram exercitados precisam desesperadamente de glicose e começam a fazer uma “regulação crescente” aos receptores de insulina para acelerar o processo. Essa é a razão pela qual o exercício físico é um fator tão importante para os diabéticos tipo 2 conseguirem recuperar a sensibilidade à insulina. Também é a razão pela qual os atletas de resistência conseguem comer 400 ou 600 gramas de carboidratos por dia e não engordam – eles queimam tudo.

O exercício físico de alta intensidade é tão efetivo como atividades aeróbicas, mas o melhor é uma mistura dos dois. Quando você começa a ganhar a sensibilidade à insulina de volta, o corpo não necessita de tanta insulina para armazenar o excesso de glicose, que cria uma “regulação crescente” de todas as enzimas de queima de gordura. O resultado é que você queima a gordura armazenada a uma velocidade muito maior ao longo do dia. Os aminoácidos e outros nutrientes vitais têm acesso às células quando a sensibilidade à insulina está alta, por isso você cria ou mantém a massa muscular e perde gordura ao mesmo tempo.

Dieta para a Diabetes Tipo 2?

Em relação à alimentação é essencial diminuir a ingestão de carboidratos, especialmente os açúcares óbvios e outros alimentos refinados. Faça dos vegetais frescos a base da sua pirâmide alimentar. Eu fico furioso quando o nosso governo sugere que 60% da nossa ingestão calórica devem ser de carboidratos. É ridículo, é um crime! Pense no que é o melhor para a saúde humana de uma perspectiva natural. Olhe para o mapa genético. Olhe para as estatísticas e os estudos – ou observe simplesmente o que se passa em restaurantes, cinemas, cantinas nas escolas – e você vai começar a entender as implicações de uma dieta que está desalinhada com o nosso organismo. As provas são esmagadoras: a ingestão de carboidratos refinados e açucarados é um ataque á saúde. Este fato é responsável pelo colesterol alto, hipertensão arterial, resistência à insulina, obesidade e diabetes.
Não são só os diabéticos que devem limitar a ingestão de carboidratos – toda a gente deve fazer isso. A nível evolucionário, todos temos uma pré-disposição para ficar diabéticos.

A opinião convencional está parcialmente correta em dizer que o açúcar não é necessariamente a “causa” da diabetes – cada vez mais, provas científicas mostram que existe susceptibilidade genética para alguém ter um potencial mais elevado de desenvolver diabetes. Wow… que surpresa! Toda a discussão na mídia convencional pode simplificar-se ao seguinte: o açúcar não causa diabetes tipo 2, é genético. Eu concordo plenamente. Eu diria que a susceptibilidade da espécie humana para a resistência à insulina, inflamação, doenças cardiovasculares e à obesidade mostra que qualquer tipo de açúcar refinado ou cereal é a ultima coisa que os humanos deviam de consumir. O nosso mapa genético indica que não fomos criados para consumir açúcar.

Este artigo foi feito para despertar a sua curiosidade sobre formas paralelas de tratamento da diabetes. Tomar os remédios que o seu médico prescreveu não é o suficiente por isso aprenda mais sobre o tratamento da diabetes através da mudança de estilo de vida. Comece por ler sobre a alimentação correta para a diabetes e comece a fazer um plano semanal de exercício físico. O importante é fazer, esperar e programar e teorizar não funciona. Quanto mais cedo começar melhor.

Comentários

  1. Tacuso diz

    Excelente a matéria, têm conteúdo adequado para o entendimento das pessoas sobre a questão, e nos faz pensar e entender que somos capazes de contribuir individualmente em cada caso na prevenção e monitoramento da doença, e não necessariamente só o seu médico.

  2. Mary diz

    Boa tarde!

    Descobri em agosto de 2011 que tenho diabetes tipo 2, e estou tomando januvia desde dezembro de 2012. Gostaria de saber se posso engravidar, o ultimo exame deu 130. Faço testes em casa o ultimo deu 119. Gostaria de mais informações a respeito pois tenho desejo de ter um filho.

    Obrigado!

  3. Gerson Martins Couto diz

    Tem como enviar por email uma dieta para que tem diabetes tipo 2.

  4. Evandro diz

    Independente da dieta que eu faça à noite o índice de glicemia no dia seguinte em jenjum é de 130 ml/dg ou um pouco acima disso.
    Este índice pode ser considerado normal ou é necessário ir ao médico para alterar a medicação?

  5. Silvia diz

    Muito obrigado! Foi muito util e ilucidativo.

  6. Cizete diz

    Concordo com amigo acima. Excelente matéria! Faço Farmácia e obtive aqui informações que serão de grande utilidade para minha prova de bioquímica de amanhã. Obrigada.

  7. Heliodoro diz

    Muito obrigado pelos ensinamentos contidos aqui de forma bem clara, e que até ao momento jamais algum medico me esclareceu. Bem haja.

  8. Paulo Sérgio de Freitas diz

    Muito bem explicado, só descordo com o fato de a espécie humana ter 50.000 anos.

  9. Roberto Alves diz

    Corro quase todos os dias á 37 anos, jogo tenis, faço musculação, sou magro, tenho 67 anos, porque tenho diabetes? Como pouca quantidade, mas muito carboidrato complexo, mas queimo bastante. Meu pai era diabético, mas era gordo e sedentário, o oposto de mim. Não consigo entender porque sou diabetico.

  10. Debora Amanda Fermino diz

    Excelente matéria. Deixa bem claro de um jeito que as pessoas possam entender.

  11. Antonio Ramos diz

    Gostei muito do artigo, e mostra a realidade da politica podre que o governo pratica com a população.
    Desinformar a população é um absurdo, mas é o que eles fazem.
    Parabéns
    Antonio Ramos

  12. Carlos Alberto diz

    Exelente matéria, muito educativa e elucidadora. O motivo da minha pesquisa foi justamente entender a doença, para melhorar a alimentação da minha esposa que tem dificuldade para baixar os niveis de glicose com a absorção de medicamentos e sofrendo com efeitos colaterais.

  13. Maria Peres Camacho Martins diz

    Muito boa essa matéria… Porque os médicos não nos informam corretamente? Estão sempre com pressa? Há 11 meses estou diabética, não tenho ninguém na familia diabético, mas sou obesa tomo 2 comprimidos de glifage de 500 à noite. Isso é um tipo de insulina? Explicam muito pouco para a gente e nos entopem de remédios. Deveriam ter mais cuidado com as pessoas e as industrias mais seriedade e respeito com o ser humano. Brevemente tudo vai terminar e cada um terá a sua porção. Obrigado pela boa informação!

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